O militar do ET

Ilustração caso ET de Varginha. Autópsia realizada pelo Dr. João Janini do Militar que morreu após atender a ocorrência e possível captura do ET.

O militar do ET

Houve uma agitação na sociedade local. Só se falava do aparecimento de um extraterrestre em Varginha. Os ufólogos deliraram de felicidade. Eram entrevistas a todo momento na TV local até que rapidamente o assunto tomou conta da imprensa mundial.

Na época, eu dirigia a construção do Hospital Humanitas e, certo dia, recebi uma carga muito grande que era um equipamento de raio X. O caminhão parou na porta do hospital e começou a descarregar o equipamento todo lacrado.  Não sei dizer onde começou o comentário, mas algumas pessoas, suspeitando da operação, começaram a dizer que dentro daquelas caixas chegaram os corpos dos ETs capturados e que eu estava atendendo o caso no hospital.

A coisa foi tomando uma proporção que dias depois se tornou um fato consumado. Não havia como refutar. Tudo que envolvia o assunto gerava muita repercussão e a necessidade de acreditar era maior que o desejo de questionar. Então, não me esforcei em desmentir. Me divertia com as especulações da imprensa e da população frenética com a possibilidade de estar vivendo um momento histórico.

Um dia eu estava em uma loja e o dono, durante uma conversa de balcão comigo, se virou para um cliente que estava ao lado e disse:
— O doutor Janini foi quem autopsiou o ET, sabia?

O homem que estava ao lado arregalou os olhos e fez a mesma expressão que todos faziam quando ouviam aquela história. Era uma mistura de medo e curiosidade, mas nunca de indiferença. Claro que mais curiosidade que medo e isso também me divertia. Então, com ar de mistério, baixava o tom da voz e olhava para os lados, como alguém que fosse contar um segredo e, me dirigindo à pessoa, procurava não desapontar:

— Não fala isso. Isso é um assunto confidencial. Eu sou proibido de falar sobre este caso.

Bastavam aquelas minhas palavras para que a suspeita de que eu realmente autopsiei o ET virasse uma verdade absoluta. Se era aquilo que eles queriam ouvir, por que eu os desapontaria? Quando a verdade não é suficiente, o esforço de dizê-la é em vão.

Mas se não bastasse, outro fato também marcou minha história médica no caso do ET de Varginha.

Algumas semanas depois da suposta aparição da criatura, deu entrada no Hospital Regional, que era outro hospital da cidade em que eu trabalhava, um militar que estava muito doente. Junto também chegou o boato de que ele seria o militar que tinha entrado em contato com o ET. A história é que a criatura que apareceu na cidade foi capturada por militares e teria sido aquele rapaz, jovem, o militar que entrou em contato direto e tocou na criatura.

O quadro dele foi piorando e ele acabou falecendo.

Fiz a autópsia do militar. Essa sim foi verdadeira. A repercussão também foi enorme. A imprensa estava em polvorosa. Os jornais vendiam instantaneamente nas bancas. Tudo relacionado ao caso era prioridade máxima para a imprensa e a morte daquele militar caiu como uma nova bomba midiática.

Para mim, era mais um caso como todos os outros e os procedimentos foram os de praxe. Autópsia feita, laudo pronto. Fim.

Meses depois, recebi a ligação de um delegado.

— O senhor até hoje não me mandou o laudo da autópsia do militar. Eu quero isso hoje na minha mesa.

— O senhor está enganado. Eu não mandei o laudo porque ninguém pagou por ele. O Estado não me pagou. Assim que eu receber, envio.

Logo em seguida, apareceu alguém para pagar e levaram o laudo. O delegado, certamente pressionado por todos os lados inclusive pela imprensa, tinha que dar uma resposta oficial sobre a causa da morte e percebeu que o único documento que atestaria isso sequer estava junto da papelada. Ficou arquivado ali comigo, guardado, sem que ninguém o reclamasse. Não reclamando, era um caso como qualquer outro em meus arquivos e não cabia me manifestar.

Quase um ano depois, imagino o tamanho da decepção quando leram e constataram que o rapaz havia morrido de causas comuns e não pelo contato com o ser de outro Planeta, ou uma bactéria extraterrestre, como o povo já havia determinado antes mesmo do meu laudo.

A sociedade cria suas verdades e aquilo pode se sobrepor, inclusive a um laudo médico. E eles são ligeiros. Uma mentira bem contada, é incalculavelmente mais rápida que um fato comprovado.

No fundo, acho que devemos temer a sociedade mais do que o desconhecido. A sociedade, quando toma conta do de um assunto, ainda mais um assunto tão intrigante como esse, faz dele o que quer e muitas vezes isso está muito distante de ser verdade.

Mas também tenho minhas considerações sobre o caso para além do médico. Se você me perguntar se acredito que exista vida fora do planeta Terra, eu respondo que tem que existir. O que não acredito é na aparição de um extraterrestre aqui. Somos muito insignificantes para isso.

Nós somos novos no universo. A Terra tem 4,6 bilhões de anos e, de acordo com o que foi descoberto até agora, os primeiros sinais de vida no planeta datam de 3,5 bilhões de anos atrás, ou seja, há mais de 1 bilhão de anos, a Terra era nada mais que uma sopa de materiais se encontrando, reagindo e aí foi criada a sexta matéria, que é o protoplasma.

É muito difícil dizer quando surgiu o primeiro homem na Terra, mas o que chamamos de Homo erectus, de acordo com a ciência, começou a vagar pelo planeta há 1,5 milhões de anos. Foram bilhões de anos até que tivéssemos o esboço do que somos hoje. Como somos muito recentes e o planeta é uma ocorrência inexorável em torno de uma estrela, deve haver muitas estrelas situadas na zona habitável galáctica, que por sua vez tem uma zona habitável planetária. É aí que surge a vida e ela é muito mais antiga que nós.

Imagine como estaremos quando tivermos mais 500 mil anos de existência? Estamos evoluindo, mas há lugares que têm bilhões de anos mais que a gente. Por isso eu acho que existe, em algum lugar do universo, vida muitíssimo inteligente porque eles têm tempo de matéria e de conhecimento. Dê a nós mais um milhão de anos e desenvolvimento e cachorro pode estar até falando ao invés de latir. Os animais também se desenvolverão. Tudo vai desenvolver. Talvez até nossa consciência de urgência em salvarmos nosso próprio planeta.

Nós somos belos. A, Terra é bela. Temos um repositório maravilhoso de vida, nossos biomas. Quando vejo essas edições científicas falando das descobertas em Marte acho de um desperdício imenso. Temos que salvar nosso planeta, investir dinheiro no que temos, como por exemplo limpar nossos mares. Estamos destruindo tudo e, infelizmente, nesse fato verídico a sociedade se encaixa naquele comportamento que citei: Quando a verdade não é suficiente, parece que o esforço para prova-la é em vão.

Por: João Baptista Macuco Janini
Fundador do IPD Exames e Saúde
https://ipd.com.br

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